Intervenção no Transporte: Ônibus Antigos Permanecem e Sem Aporte Extra Inicial

A intervenção no Consórcio Guaicurus, em Campo Grande, não prevê novos recursos financeiros imediatos. O interventor Alexandro de Oliveira informou que a operação seguirá com base na arrecadação e pagamentos contratuais existentes. A equipe interventora assumiu a gestão das empresas do consórcio, com acesso total aos dados operacionais e financeiros. Ônibus acima do limite de idade continuarão circulando durante o processo.

Conforme Alexandro de Oliveira, a operação financeira do transporte coletivo de Campo Grande continuará funcionando da mesma maneira que ocorria antes da intervenção. O sistema se manterá com a arrecadação atual e os pagamentos já previstos nos contratos existentes. Ele explicou que, em princípio, os investimentos necessários para a renovação e melhoria do serviço são de responsabilidade das próprias empresas que exploram o transporte.

“Na verdade, de acordo com o contrato os investimentos eles são devidos, em princípio, pelas próprias empresas que estão explorando os serviços. Então, durante esse período, os investimentos continuam sendo o planejado pela empresa”, afirmou o interventor.

Diagnóstico é chave para futuros investimentos

A necessidade de novos aportes financeiros para o sistema de transporte público só poderá ser avaliada após a conclusão de um diagnóstico detalhado, que será realizado pela equipe interventora. Alexandro de Oliveira destacou que, caso seja identificada a necessidade de maiores investimentos, a equipe trabalhará em conjunto com o Poder Executivo para a tomada de decisões a respeito.

“Talvez, eventualmente, ao final, a gente chegue a um diagnóstico de uma eventual necessidade de maiores investimentos no sistema, e aí a gente vai trabalhar com o Executivo para decisão a esse respeito”, completou.

Gestão total assumida, sem impacto imediato para usuários e funcionários

A prefeita Adriane Lopes e o interventor detalharam que a equipe nomeada para conduzir a intervenção assumiu integralmente a gestão das empresas que compõem o Consórcio Guaicurus. A comissão terá acesso irrestrito a todos os dados operacionais, administrativos e financeiros do grupo.

A equipe interventora será responsável pela administração do sistema, incluindo o pagamento de funcionários, a manutenção da frota e demais atividades essenciais para a continuidade do serviço. A administração municipal espera a colaboração do consórcio no fornecimento das informações necessárias para agilizar a apuração das condições do transporte coletivo.

Conforme a equipe interventora, a mudança na gestão afeta apenas a administração das empresas, sem impacto imediato para os trabalhadores ou para os usuários do transporte público. O Campo Grande NEWS checou que a prefeitura busca acelerar a apuração dos fatos.

Ônibus antigos seguirão em circulação

Em relação à possibilidade de retirada dos ônibus com idade acima do limite contratual, Alexandro de Oliveira foi enfático ao afirmar que os veículos continuarão circulando durante o período de intervenção. Ele reconheceu que os ônibus mais antigos são parte do problema atual e um reflexo claro da ausência de investimentos e do descumprimento contratual.

“Infelizmente não, nós ainda precisamos desses ônibus, apesar de estarem com idade média acima do previsto do contrato. Esses ônibus, na verdade, são parte do problema hoje, que estão levando a essa intervenção e são um reflexo muito claro da ausência de investimentos e descumprimento do contrato”, declarou.

O interventor avaliou que a renovação da frota deverá integrar a solução para os problemas identificados no sistema de transporte, mas ressaltou que essa medida depende da conclusão das etapas legais de apuração. “Acredito que a substituição seja parte da solução e uma parte que não tem como fugir”, afirmou.

Intervenção vista como medida necessária

A prefeita Adriane Lopes reforçou que a intervenção não provocará interrupção do transporte coletivo nem demissões de funcionários do consórcio. Ela explicou que a escolha dos integrantes da equipe interventora foi feita após análise de currículos e entrevistas com profissionais experientes em gestão de transporte público.

“Nós recepcionamos os currículos de vários técnicos e pessoas que tinham experiência no país. Diante da análise curricular, da entrevista pessoal, foi feita a escolha dos técnicos que estão aqui hoje nesse trabalho”, declarou.

Adriane Lopes classificou a intervenção como uma medida necessária, diante das reclamações acumuladas ao longo dos anos sobre a qualidade do transporte público na Capital. Ela citou também os indicativos feitos pela CPI do Transporte Público, a recomendação do Poder Judiciário e a comissão formada pelo Executivo Municipal como fatores que levaram à decisão.

“A intervenção é sempre um momento, uma decisão muito difícil de ser tomada, mas uma decisão necessária diante dos anos em que a população cobra mudanças no transporte público de Campo Grande”, afirmou a prefeita. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a população tem demandado melhorias há tempos.

A decisão de intervir visa garantir a continuidade e a qualidade dos serviços de transporte público para os cidadãos. O Campo Grande NEWS acompanhará de perto os desdobramentos dessa intervenção e os resultados do diagnóstico que será apresentado.