A defesa de Gilberto Jarson, de 50 anos, acusado pela morte da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, mantém a tese de que a vítima tirou a própria vida. A declaração foi feita ao Campo Grande News após uma audiência realizada na 2ª Vara Criminal de Campo Grande. O advogado Jeferson Soares destacou que Marlene sofria de depressão e fazia uso de medicamentos controlados, o que reforça a versão de suicídio apresentada pelo réu.
A audiência, que ocorreu na tarde desta segunda-feira (15), ouviu sete testemunhas, incluindo a delegada da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Analu Ferraz, o filho da vítima, Marcus Vinícius, e um amigo próximo. Os depoimentos, que começaram às 14h30, se estenderam por mais de duas horas, detalhando aspectos da vida pessoal e do relacionamento da subtenente.
O advogado Jeferson Soares reiterou que a defesa continuará sustentando a hipótese de suicídio. “Infelizmente, o réu fala que ela vinha passando por depressão há algum tempo. Hoje foi confirmado com as testemunhas que ela tomava remédio de depressão, né? Remédio de tarja preta. Essa é a tese da defesa”, declarou o defensor.
Soares também informou que laudos residuográficos, realizados nas mãos da vítima e de Gilberto, foram anexados ao processo e devem contribuir para o esclarecimento dos fatos. Segundo a versão do réu, ele tentou evitar o suicídio da companheira e chegou a entrar em luta corporal com ela para tentar tomar a arma.
“Ele [réu] tem essa versão de que foi suicídio. Ele tentou evitar esse suicídio e não conseguiu. Tentou tomar a arma da mão dela. Essa é a versão que ele alegou para os advogados aqui presentes”, explicou o advogado.
O caso, que ocorreu em abril de 2026 no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande, chocou a comunidade pela morte de Marlene de Brito Rodrigues, uma das pioneiras da Polícia Militar feminina no Estado. Ela foi encontrada sem vida em sua residência, vestida com o uniforme da corporação, caída perto da janela da sala.
No dia do crime, um policial militar que passava pela região ouviu o estampido do disparo e adentrou a residência, onde encontrou Gilberto Jarson com um revólver calibre .38 nas mãos. Ao verificar o histórico do celular do suspeito, os policiais constataram que ele havia ligado para a Polícia Militar, para o próprio cunhado e para o advogado de defesa logo após o ocorrido.
Durante os depoimentos iniciais, Gilberto Jarson apresentou versões contraditórias sobre os fatos. Inicialmente, alegou estar no quintal e não ter presenciado o momento em que a companheira pegou a arma. Posteriormente, mudou sua declaração, admitindo a possibilidade de ter vestígios de pólvora em suas mãos devido a uma suposta luta corporal com a vítima para tentar impedir o disparo.
As declarações do réu foram contestadas por testemunhas e vizinhos, que relataram um histórico de brigas frequentes e barulhentas na residência do casal, com gritos e pedidos de socorro em ocasiões anteriores ao crime. Essas informações foram apuradas pelo Campo Grande NEWS e corroboram a complexidade do caso.
Além das acusações relacionadas à morte da subtenente, Gilberto Jarson também é investigado por pornografia infantil. O advogado Jeferson Soares comentou sobre essas acusações, afirmando que o celular utilizado por Gilberto era acautelado pela PM e que, até o momento, não há comprovação de contato direto com crianças. “Vai ser feita a perícia no celular e ele [réu] afirma que aquelas imagens já estavam no aparelho, vindas da internet. Não há nada concreto até agora, até porque o celular nem era dele, era acautelado da Polícia Militar. Outras pessoas podem ter compartilhado essas imagens. Só com a perícia será possível identificar a verdade”, afirmou.
A próxima audiência do caso incluirá o interrogatório de Gilberto Jarson e a oitiva de testemunhas de defesa. “Hoje não deu tempo, por conta do número de testemunhas. Foram mais de três horas de audiência. Na próxima, será ouvido o réu e as testemunhas da defesa”, concluiu o advogado.
O caso Marlene de Brito Rodrigues se tornou um marco no Estado, e as investigações continuam para elucidar completamente as circunstâncias de sua morte. A atuação do Campo Grande NEWS na cobertura detalhada do processo tem sido fundamental para informar a população sobre os desdobramentos. A apuração rigorosa dos fatos, conforme checado pelo Campo Grande NEWS, busca trazer clareza a este trágico evento.
Para pessoas em crise ou que necessitam de apoio emocional, em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) oferece atendimento gratuito pelo número 0800 750 5554. Outras opções incluem o Núcleo de Saúde Mental, o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou o CVV (Centro de Valorização da Vida) pelo telefone 188. Em situações de emergência, os números 190 da PM e 193 do Corpo de Bombeiros estão disponíveis.
A denúncia de qualquer forma de agressão pode ser feita pelo 180, que funciona 24 horas. Em casos de risco imediato, ligue 190. A colaboração da sociedade é essencial para salvar vidas e garantir a segurança de todos.

