Indígenas ocupam fazenda em Sidrolândia e cobram demarcação de terra

Indígenas da Aldeia Buriti retornaram à Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, na manhã desta quarta-feira (15), para reivindicar a área como território ancestral. Cerca de 300 pessoas participam da ocupação, conforme lideranças locais. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) confirmou o ocorrido e agendou uma reunião no local para a tarde de hoje.

A ocupação atual está ligada à cobrança por avanços no processo de demarcação da terra, que está paralisado desde 2013. Neste mesmo local, o indígena Oziel Gabriel Terena foi morto durante uma ação de reintegração de posse. A tensão na região se acentua diante da lentidão dos processos e da busca por reconhecimento territorial.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, uma liderança indígena identificada como Xumunó declarou a intenção de permanecer na fazenda. “Aqui, é nosso”, afirmou categoricamente, enfatizando que a comunidade está no local para reivindicar seus direitos. Ele ressaltou que a ocupação conta com a participação de aproximadamente 300 pessoas.

“Estamos aqui, cerca de 300 guerreiros, aqui nesse chão onde viemos reivindicar o que nós temos direito. Então, deixo aqui, através da rede social, que vamos permanecer nesse espaço e que aqui, é nosso, não vamos retroceder”, declarou o líder indígena. A determinação em permanecer na área demonstra a urgência e a importância da questão para a comunidade Buriti.

Xumunó também mencionou a existência de um estudo antropológico que valida a presença indígena na área da Fazenda São Sebastião no passado. “Estudo antropológico que foi feito constatou que isso aqui é terra indígena. Não vamos retroceder, vamos permanecer nesse torrão de terra aqui”, reforçou o líder, baseando a reivindicação em evidências científicas.

Retorno e Mediação da Funai

Os indígenas já haviam ocupado a mesma fazenda na terça-feira (14). Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, eles deixaram o local por volta das 11h daquele dia, enquanto a Funai atuava na mediação do conflito. O retorno nesta quarta-feira indica que as negociações não foram suficientes para resolver a questão.

A paralisação do processo demarcatório desde 2013 é um ponto central da insatisfação. A morte de Oziel Gabriel Terena em uma ação de reintegração de posse adiciona um histórico de violência e tragédia à disputa pela terra, tornando a situação ainda mais delicada e urgente para a comunidade indígena.

Presença Policial na Área

Equipes da Polícia Militar (PM) foram enviadas à região nesta manhã para verificar a situação da possível ocupação. Até o momento da publicação desta matéria, a corporação não havia confirmado oficialmente a presença de indígenas na fazenda. A atuação policial visa monitorar o desenrolar dos acontecimentos e garantir a ordem pública.

A notícia da ocupação e a reivindicação por demarcação de terras em Sidrolândia ganham destaque, evidenciando a persistência das lutas indígenas por seus direitos territoriais no Brasil. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação segue tensa, com a expectativa voltada para a reunião agendada pela Funai e as próximas movimentações das partes envolvidas. A busca por justiça e reconhecimento de direitos ancestrais continua sendo o motor principal para a comunidade da Aldeia Buriti.

A complexidade do caso envolve não apenas a questão territorial, mas também as memórias de conflitos passados e a necessidade de soluções duradouras. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta ocupação, buscando trazer informações atualizadas e precisas sobre o avanço do processo demarcatório e as negociações entre os indígenas, o governo e os proprietários da fazenda. A reportagem do Campo Grande NEWS aponta para a importância de estudos antropológicos como base para a resolução de conflitos fundiários.