A Justiça de Campo Grande concedeu liberdade provisória ao ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, e a outros cinco presos na Operação Buraco sem Fim. A decisão, proferida pela 5ª Vara Criminal, revoga as prisões preventivas, mas impõe medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, por 180 dias, além da obrigatoriedade de manter o endereço atualizado e comparecer a todos os atos processuais. A defesa argumentou que a denúncia já foi oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e que não havia mais elementos que justificassem a manutenção da prisão.
O juiz Waldir Peixoto Barbosa fundamentou sua decisão ressaltando que a prisão preventiva não deve ser utilizada como resposta simbólica à gravidade do fato, nem como antecipação de pena ou mecanismo abstrato de contenção da criminalidade. A medida visa garantir o andamento do processo, sem prejuízo da presunção de inocência.
Entenda a Operação Buraco sem Fim
A Operação Buraco sem Fim foi deflagrada pelo MPMS em 12 de maio de 2026, com o objetivo de desarticular um esquema de fraude em contratos de tapa-buracos em Campo Grande. As investigações apontaram a existência de uma organização criminosa que atuava de forma sistemática na execução do serviço de manutenção de vias públicas. A fraude se dava por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos, resultando no desvio de dinheiro público e na má qualidade das vias.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, levantamentos indicam que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada obteve contratos e aditivos que somam mais de R$ 113 milhões. Durante as buscas, foram encontrados valores expressivos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Apenas na residência de Rudi Fiorese, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie, e em outro imóvel alvo da operação, foram encontrados R$ 233 mil.
A operação foi resultado de um trabalho conjunto entre o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Unidade de Apoio à Investigação do Centro de Pesquisa, Análise, Difusão e Segurança da Informação (CI/MPMS) e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.
Argumentos da Defesa e Decisão Judicial
A defesa de Erick Valadão e Fernando de Souza, representada pelo advogado Fávio Ferraz, solicitou a revogação das prisões preventivas com base no fato de que a denúncia já havia sido formalizada pelo MPMS. Ferraz argumentou que a manutenção da prisão não se justificava, uma vez que seus clientes já estavam à disposição da Justiça e que a investigação se encontrava em fase processual.
O advogado destacou que a decisão do juiz foi bem fundamentada e resgata a condição de inocência de seus clientes até o trânsito em julgado da sentença. “Os fatos narrados pelo MPE merecem ser apurados com firmeza, todavia, respeitando o devido processo legal e a presunção de inocência”, afirmou Ferraz, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.
Medidas Cautelares e o Futuro do Processo
Apesar da liberdade concedida, os envolvidos deverão cumprir medidas cautelares por 180 dias. Entre elas, estão o uso de tornozeleira eletrônica, a obrigação de manter o endereço atualizado junto ao juízo e o comparecimento a todos os atos processuais. Essas medidas visam garantir que os acusados permaneçam à disposição da Justiça e não interfiram na produção de provas ou no andamento do processo.
A Operação Buraco sem Fim continua em andamento, com o MPMS buscando a responsabilização dos envolvidos e a recuperação dos valores desviados dos cofres públicos. A expectativa é que a investigação aprofunde as apurações sobre a possível participação de outros agentes públicos e empresários no esquema criminoso. O Campo Grande NEWS acompanha de perto todos os desdobramentos deste caso que afeta diretamente a infraestrutura e a confiança da população na gestão pública.

