Mais de 500 mulheres quilombolas de todo o país se reuniram no Distrito Federal em um encontro nacional marcante. O evento, realizado na região administrativa do Gama até o próximo domingo (14), celebrou os 30 anos da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e lançou o “Plano Emergencial para Proteção às Mulheres Quilombolas Defensoras dos Direitos Humanos”. Este plano, com 85 páginas, detalha demandas urgentes por políticas públicas efetivas e proteção contra conflitos agrários e ambientais que afetam lideranças femininas.
A iniciativa visa garantir proteção coletiva e territorial, análises de gênero e raça, direitos sociais, infraestrutura, valorização dos saberes quilombolas e o fortalecimento de equipes de apoio. Conforme Selma Dealdina, coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da Conaq, o plano responde ao agravamento de conflitos que vulnerabilizam as lideranças. O evento também exibiu o documentário “Cafuné”, que aborda a tensão vivida por lideranças ameaçadas e o impacto de assassinatos como o de Mãe Bernadete.
“Realizar o fortalecimento dos territórios, da nossa ancestralidade e de tudo aquilo que nós representamos”, afirmou Sandra Braga, coordenadora executiva da Conaq, destacando a importância do encontro para compartilhar dores, lutas e ideias. O evento contou ainda com a participação da jornalista Maria Júlia Coutinho, que ressaltou a alegria e a força transformadora das comunidades quilombolas. O lema do encontro, “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia”, sublinha a resistência e a ancestralidade na proteção dos biomas nacionais.
Plano de Proteção e Justiça Climática
O lançamento do “Plano Emergencial para Proteção às Mulheres Quilombolas Defensoras dos Direitos Humanos” foi o ponto central do primeiro dia do encontro nacional. Com 85 páginas, o documento é um marco na luta por reconhecimento e segurança. Ele lista uma série de demandas cruciais a serem atendidas pelas diversas instâncias de poder, focando em políticas públicas que realmente façam a diferença na vida dessas mulheres e suas comunidades.
O plano enfatiza a necessidade de garantias de proteção coletiva e territorial, além de análises aprofundadas sobre questões de gênero e raça. Busca também assegurar direitos sociais e infraestrutura adequada, valorizar os saberes e práticas ancestrais quilombolas e superar falhas estruturais em programas de segurança. O fortalecimento de equipes multidisciplinares, com respostas rápidas a riscos iminentes, é outra prioridade.
Selma Dealdina, coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da Conaq, explicou que o plano foi elaborado para responder diretamente ao agravamento dos conflitos agrários e ambientais. Esses conflitos têm tornado as lideranças quilombolas femininas nacionais cada vez mais vulneráveis, colocando em risco não apenas suas vidas, mas também a preservação de seus territórios e culturas.
A iniciativa prevê desdobramentos práticos a curto prazo. Entre eles, a publicação de uma cartilha pedagógica e a estruturação de formações integradas. O objetivo dessas formações é fortalecer a articulação e a incidência política das mulheres quilombolas, capacitando-as para defenderem seus direitos de forma ainda mais eficaz.
O Impacto do Documentário “Cafuné”
Além das discussões e do lançamento do plano, o evento exibiu o filme documentário “Cafuné”. A obra cinematográfica retrata a tensa realidade vivida por lideranças comunitárias que enfrentam ameaças constantes. O filme também aborda o impacto devastador das mortes de mulheres importantes para as comunidades, como o trágico assassinato de Mãe Bernadete, ocorrido em agosto de 2023.
Produzido por iniciativa da Conaq e dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação, “Cafuné” faz parte de um projeto maior a ser entregue a autoridades. O objetivo é dar visibilidade às lutas e aos riscos enfrentados pelas mulheres quilombolas, servindo como um poderoso instrumento de denúncia e conscientização. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a arte tem sido uma ferramenta fundamental na mobilização social.
Fortalecendo Territórios e Ancestralidade
Sandra Braga, coordenadora executiva da Conaq, ressaltou que o encontro nacional é um espaço vital para compartilhar as dores, as lutas e as ideias das mulheres quilombolas em suas comunidades. A reunião busca fortalecer os territórios, a ancestralidade e tudo aquilo que essas mulheres representam para a sociedade brasileira.
A jornalista Maria Júlia Coutinho participou de uma conversa com as lideranças quilombolas sobre comunicação. Ela enfatizou a importância de celebrar o modo de vida dessas comunidades, destacando que “o quilombo é também um lugar onde se cria alegria”. Essa alegria, segundo ela, não é ingênua, mas sim uma força que impulsiona a transformação e o avanço, mesmo diante dos desafios.
Justiça Climática e Diversidade dos Biomas
O lema do evento, “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia”, encapsula a essência da mobilização. Ele reflete a necessidade de resistência e a força da ancestralidade na proteção dos biomas nacionais. A Conaq acredita que é fundamental unificar estratégias para combater os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais.
O encontro oferece um espaço valioso para agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras de diversas regiões. A ideia é promover uma representação autêntica da diversidade de produtos e saberes originários dos biomas brasileiros. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, essa troca de experiências é essencial para o desenvolvimento sustentável.
Cida Souza, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, destacou o papel central das mulheres na produção dentro dos territórios quilombolas. “Seja na agricultura familiar, na medicina tradicional, no artesanato ou na farinha, cada estado traz uma identidade única determinada pelo seu bioma”, afirmou. Essa riqueza cultural e produtiva é um patrimônio a ser defendido e valorizado, conforme o Campo Grande NEWS frequentemente destaca em suas reportagens sobre comunidades tradicionais.


