Campo Grande registra 56 reações leves à vacina da dengue do Butantan
Campo Grande registrou um total de 56 casos de reações adversas leves em profissionais de saúde que receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. As informações foram divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) nesta quarta-feira (10), após o Ministério da Saúde anunciar a suspensão temporária da estratégia de vacinação com este imunizante em todo o território nacional. A decisão ministerial surge após a confirmação de 42 reações graves em nível federal, nenhuma delas registrada em Mato Grosso do Sul. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a Qdenga, vacina contra a dengue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), continua com a aplicação normal, embora a cobertura vacinal ainda seja considerada baixa no estado.
A superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, detalhou que a vacina em questão foi administrada exclusivamente a profissionais de saúde da capital. A imunização iniciou com trabalhadores das Unidades de Saúde da Família e, posteriormente, foi ampliada para servidores de outras unidades da rede municipal. Ao todo, 1.033 doses foram aplicadas em Campo Grande.
De acordo com Veruska Lahdo, os 56 eventos registrados foram classificados como leves e não apresentaram risco à saúde dos vacinados. Ela explicou que esses desconfortos são comuns após a aplicação de qualquer vacina, como dor no local da injeção e dores musculares. Esses sintomas são devidamente registrados no sistema de monitoramento, mas são considerados de baixa gravidade e sem risco. A fala foi feita durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira.
Suspensão da vacina do Butantan e segurança dos vacinados
No cenário nacional, o sistema de vigilância pós-vacinação identificou 42 episódios de reações adversas graves que podem estar associadas ao imunizante do Butantan. É importante ressaltar que nenhum desses casos ocorreu em Mato Grosso do Sul. A orientação atual, conforme informou Veruska Lahdo, é suspender a aplicação das doses até que o Ministério da Saúde defina os próximos passos, incluindo a possibilidade de devolução dos imunizantes. A superintendente buscou tranquilizar os profissionais que já receberam a vacina.
Segundo ela, pessoas que receberam a dose há mais de 21 dias não precisam se preocupar. “Quem já tomou a vacina e passou dos 21 dias após a aplicação não apresenta risco. Quem ainda está dentro desse período deve ficar atento a sintomas mais graves, como sangramentos, vômitos persistentes, febre intensa ou dor abdominal. Nesses casos, é importante procurar atendimento médico”, orientou.
Qdenga segue disponível e cobertura vacinal em Campo Grande
A suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde não impacta a vacinação contra a dengue com a Qdenga, imunizante que está disponível no SUS. Conforme Veruska Lahdo, a vacina continua sendo oferecida normalmente nas unidades de saúde de Campo Grande. Apesar disso, a cobertura vacinal permanece aquém do esperado, com cerca de 30% dos grupos prioritários vacinados, um índice considerado baixo pela secretaria.
No estado de Mato Grosso do Sul, desde o início da estratégia de vacinação em fevereiro deste ano, foram recebidas 15.200 doses do imunizante do Instituto Butantan, e 7.333 doses (48,2%) foram aplicadas. Isso resultou em um estoque de 7.867 doses, que estão temporariamente suspensas. A Rede de Frio Estadual possui 408 doses do imunizante em estoque, armazenadas e monitoradas conforme as normas de conservação e segurança vigentes. O Campo Grande NEWS monitora os desdobramentos desta situação e trará atualizações assim que disponíveis.
A vigilância em saúde em Campo Grande, como destacado pelo Campo Grande NEWS, é um pilar fundamental para a segurança da população. A transparência na divulgação dos dados sobre as reações adversas, mesmo que leves, reforça o compromisso com a saúde pública e a confiança nas campanhas de imunização.

