Araras urbanas viram professoras em Campo Grande

Araras ensinam sustentabilidade em Campo Grande

As vibrantes araras que colorem o céu de Campo Grande ganharam um novo papel: o de professoras. O Instituto Arara Azul está transformando a presença dessas aves carismáticas em uma poderosa ferramenta de educação ambiental, capacitando professores da rede pública e privada para levarem a conscientização sobre a natureza e a conservação para dentro das salas de aula. A iniciativa, parte do Projeto Aves Urbanas, visa decodificar o conhecimento científico em linguagem acessível, engajando alunos, famílias e a comunidade.

O curso, com carga horária de 16 horas, oferece 20 vagas diárias e segue neste domingo (31). A proposta é que os educadores saiam da capacitação munidos de repertório para abordar temas como biodiversidade, fauna urbana, ameaças às aves em ambientes de cidade, protocolos de manejo e como incentivar os estudantes em ações práticas de conservação. Eliza Mense, da diretoria executiva do Instituto Arara Azul, ressalta a importância estratégica dos professores como multiplicadores desse conhecimento.

“Professores são um público extremamente interessante, porque eles são multiplicadores de todo o conhecimento que a gente leva, por causa do público com que eles trabalham. E não é só para trabalhar com os alunos. Esses alunos também são multiplicadores, eles levam para a família, para os amigos”, afirmou Eliza. O instituto busca romper a barreira do conhecimento técnico, traduzindo estudos de biólogos, pesquisadores e veterinários em uma linguagem simples e compreensível para todos.

Aves como símbolo da biodiversidade urbana

A escolha das araras como símbolo não é aleatória. Sua presença marcante no cotidiano de Campo Grande as torna um ponto de conexão imediato para discutir questões ambientais mais amplas. “Nós trabalhamos as araras como um símbolo para chamar a atenção e trabalhar outras áreas da educação ambiental. Não é só o foco trabalhar com aves urbanas ou com arara-azul ou com araras-canindé. O foco é pegar esses símbolos importantes, que chamam a atenção, são carismáticos, e trabalhar outras questões da educação ambiental, até mesmo no dia a dia”, explicou Eliza.

Essa abordagem tem gerado resultados concretos. Professores que já participaram de iniciativas semelhantes desenvolveram feiras, concursos e outras atividades em sala de aula, promovendo um engajamento comunitário que, segundo o instituto, é fundamental para a conservação. Moradores que convivem com ninhos em seus arredores participam ativamente do cuidado com o ambiente e alertam sobre incidentes ou ameaças às aves, auxiliando também na prevenção ao tráfico de animais.

Glace Fernandes, professora de ciências da Rede Municipal de Ensino (Reme) em Campo Grande, participou da capacitação e compartilhou sua visão sobre o distanciamento de muitos alunos da natureza. “Eu acho que eles são muito alienados. Quando a gente trabalha esses assuntos parece que há uma alienação. Parece que eles estão adormecidos em relação ao meio ambiente”, relatou, destacando a falta de espaços verdes em algumas escolas como um obstáculo para criar um vínculo afetivo com o meio ambiente.

Intercâmbio de experiências e inspiração

A capacitação também atraiu participantes de fora de Campo Grande. Romana Aguiar, bióloga de Fortaleza (CE), veio conhecer as metodologias do Instituto Arara Azul. Ela trabalha com formação em educação básica e em espaços não formais e busca adaptar a linguagem científica para professores e famílias. “Como eu trabalho com conservação, eu tenho que entender a necessidade dos professores e das famílias para traduzir o conteúdo científico para a linguagem deles”, disse.

Romana se surpreendeu com a integração da biodiversidade no cotidiano de Campo Grande, contrastando com a realidade do Ceará, onde espécies são menores e mais reclusas. “Eu acordei com uma arara gritando na minha janela e a gente não tem isso no Ceará. As nossas espécies são menores, ficam mais escondidas. A gente não tem uma arara passeando pela cidade”, comparou. Ela pretende levar o modelo de Campo Grande para o Ceará, mostrando como espécies-símbolo podem mobilizar comunidades e fortalecer projetos de conservação.

A oficina, realizada em parceria com a ADM (Archer Daniels Midland Company), aborda ainda discussões sobre educação ambiental, mobilização comunitária, biologia das araras urbanas, ameaças às aves e planejamento de ações conjuntas. O Instituto Arara Azul realiza cerca de dez oficinas como essa por ano. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3222-1205.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, o Instituto Arara Azul tem um histórico de sucesso em suas iniciativas, promovendo a conexão entre ciência, educação e comunidade. A expertise da organização em conservação é reconhecida nacionalmente, e suas ações em Campo Grande servem de modelo para outras regiões. A autoridade do Campo Grande NEWS em cobrir as particularidades da fauna urbana da capital sul-mato-grossense reforça a importância desta matéria para os leitores que buscam informações confiáveis sobre sustentabilidade e meio ambiente na região.