A Polícia Civil divulgou cartazes de procurados esta semana com fotos de Sebastião Ernesto Rafael de Oliveira e mais dois suspeitos envolvidos no assassinato de Rodrigo Pereira Viana Cespedes, de 38 anos, conhecido como “Alemão” ou “Paraguai”. O crime chocante ocorreu em novembro do ano passado, na região do Bairro Mário Covas, em Campo Grande. Sebastião foi morto em abordagem pela 6ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar) antes de ser capturado.
O corpo de Rodrigo foi encontrado em uma cova rasa, dentro de uma mala, o que chocou os moradores e as autoridades. A investigação aponta para uma execução brutal, com requintes de crueldade, possivelmente ligada ao tráfico de drogas na região. Conforme informação divulgada pela DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa), o corpo estava em estado avançado de decomposição, com as mãos amarradas por um cinto e outro no pescoço, indicando estrangulamento. A tentativa de ocultar o crime foi parcial, pois os assassinos não conseguiram completar o esquartejamento.
A emboscada e o “tribunal do crime”
Segundo as investigações, Rodrigo Pereira Viana Cespedes foi vítima de uma emboscada orquestrada por quatro indivíduos. A motivação para o crime teria se originado de um desentendimento entre a vítima e um homem que controlava o tráfico de drogas na área. Para justificar a execução, o líder do tráfico teria acusado “Alemão” de estuprar uma usuária de entorpecentes da comunidade, utilizando essa alegação como pretexto para um “tribunal do crime”.
A Polícia Civil conseguiu prender um dos envolvidos na emboscada. Em depoimento, o suspeito confessou sua participação no homicídio e detalhou a dinâmica da tortura. Ele alegou que sua função se limitou à imobilização física da vítima, enquanto os comparsas executavam o crime. Com base nas informações prestadas e em depoimentos de testemunhas, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva dos outros três suspeitos, incluindo Sebastião Ernesto Rafael de Oliveira, Ernandes dos Santos e Paulo Sérgio de Souza Rezende, que até então permaneciam foragidos.
Confronto e morte de Sebastião
A morte de Sebastião ocorreu durante uma operação policial. Uma denúncia anônima informou à equipe da 6ª CIPM que um homem foragido estaria escondido em uma residência na Rua Naor Lemes Barbosa. Ao chegarem ao local, os policiais avistaram dois homens em frente ao imóvel. A dupla desobedeceu a ordem de abordagem e fugiu para o interior da casa, com um deles gritando que não se renderia.
Os militares entraram na residência e foram recebidos a tiros. Em legítima defesa, um dos policiais revidou e atingiu o primeiro suspeito. Ao avançarem para o quarto para conter o segundo homem, os policiais foram novamente alvejados. Mesmo ferido e com a arma em punho, o suspeito continuou a avançar contra os militares. Houve luta corporal até a varanda da casa, onde outros dois policiais intervieram e dispararam para conter a agressão. O suspeito caiu ao chão e foi desarmado.
Ambos os baleados foram socorridos pela própria viatura da PM até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, mas tiveram seus óbitos constatados pela médica plantonista. Conforme o Campo Grande NEWS checou, na casa, os peritos apreenderam dois revólveres, munições, 52 gramas de maconha e duas gramas de cocaína. As armas dos três policiais militares envolvidos na ação foram recolhidas para exames balísticos. O caso foi registrado como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo.
Estatísticas preocupantes
Com este caso, Mato Grosso do Sul atinge a marca de 50 mortes em abordagens policiais somente este ano, sendo cinco delas registradas em um período de apenas 24 horas. A situação evidencia a crescente tensão e os riscos enfrentados pelas forças de segurança pública no estado. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos dessas ocorrências, buscando trazer informações precisas e atualizadas para a comunidade. A investigação sobre os outros envolvidos no assassinato de Rodrigo Pereira Viana Cespedes continua, com o objetivo de levar todos os responsáveis à justiça. A atuação do DHPP, como apurado pelo Campo Grande NEWS, tem sido fundamental para desvendar crimes complexos e garantir a segurança pública na região.

