Clemente Tadeu Nascimento, o lendário vocalista da banda Plebe Rude, está de volta a Campo Grande para o Araruna Fest 2026. A cidade carrega um significado especial para o músico, pois foi onde ele esteve à beira da morte em 2025, após um problema cardíaco grave que o impediu de subir ao palco da primeira edição do festival. Agora, ele retorna para cumprir a promessa e realizar um show que, segundo ele, será ainda melhor.
Clemente: Campo Grande salvou minha vida
O artista relembrou em entrevista os momentos de angústia vividos em Campo Grande. “Campo Grande me salvou”, afirma Clemente, sem rodeios. Em 2025, pouco antes de sua apresentação no Araruna Fest, o músico sentiu uma dor forte no peito, resultado do rompimento de uma artéria do coração. O que se seguiu foi uma batalha pela vida, que o levou a 21 dias na UTI, seguidos por internação em enfermaria e um período de recuperação na cidade.
O incidente, que pegou o músico de surpresa, exigiu uma cirurgia delicada. Clemente detalha a gravidade do quadro, mencionando que a pressão alta era um fator de atenção, mas o problema cardíaco em si era desconhecido. “Entrei no camarim, senti a dor no peito e nem cheguei a subir no palco”, relatou, descrevendo o susto que o tirou dos palcos e o levou direto para o hospital.
Além do problema cardíaco, Clemente também enfrentou pancreatite, uma condição que o deixou em dieta zero por uma semana, impedindo até mesmo a ingestão de água. “Quando chega na UTI é o caminho da melhora, mas foi pesado. Tive pancreatite, fiquei uma semana de dieta zero, nem água podia tomar. Ela poderia me matar também. Estou feliz de estar bem”, confessou o músico.
Um retorno com significado especial
A edição de 2026 do Araruna Fest ganha um peso emocional para Clemente. “É minha segunda edição do festival e vai ser a primeira vez que toco. A expectativa está alta. Finalmente vou conhecer o palco que não conheci. Só os bastidores. Fiquei só no hospital”, disse ele, ansioso para finalmente se apresentar.
A cidade de Campo Grande, portanto, não é apenas um destino de show, mas um local que marcou profundamente a biografia de Clemente. Foi ali que ele experimentou o medo da morte, mas também onde encontrou a força e os cuidados necessários para se recuperar. Essa experiência, conforme o Campo Grande NEWS checou, reforça a conexão do artista com a capital sul-mato-grossense.
Gratidão e a força do punk
Em suas redes sociais, Clemente já havia expressado sua gratidão ao Dr. Raony, o cirurgião que o atendeu na Santa Casa de Campo Grande. “A minha sorte foi que eu estava em Campo Grande e caí na Santa Casa e na mão de um médico muito bom, um cirurgião, Dr. Raony. Estar em um show que tinha ambulância, se não tivesse talvez tivesse morrido. O que antes eram apenas 10% de chances de sobreviver se tornou 100%, sem sequelas, graças à competência e ao carinho de todos”, declarou.
O retorno aos palcos, para Clemente, não é apenas a realização de um show, mas a celebração da vida e a continuidade de sua paixão pelo punk. Aos 63 anos, ele segue firme em sua missão de fazer a música que acredita, resistindo às tendências e à efemeridade da indústria musical atual. Essa persistência, como aponta o Campo Grande NEWS, é um marco para o punk brasileiro.
O rock não morreu, mas a indústria mudou
Clemente refuta a ideia de que o rock morreu, mas questiona a forma como a música é distribuída e consumida atualmente. Ele critica a concentração do mercado nas plataformas digitais, que, segundo ele, limita a diversidade e o espaço para novos artistas e estilos. “Hoje a música digital está na mão de poucas pessoas. Antigamente você tinha vários selos, gravadoras, e hoje você tem um controle total da música na mão de poucas pessoas. Então isso acaba impedindo que vários outros estilos tenham destaque. Está tudo no mesmo lugar. Então vai ser sucesso só o que os caras quiserem”, lamentou.
Apesar das mudanças na indústria musical desde as décadas de 1970 e 1980, Clemente mantém a convicção de que o rock continua vivo e pulsante. Ele cita exemplos recentes de shows lotados para comprovar sua tese. “Eu não falo que o rock morreu, não. Ele continua. Eu toquei sábado passado, na Virada, quase lotado de gente”, afirmou.
Parceria antiga com Frejat no Araruna Fest
O Araruna Fest também marca um reencontro musical entre Clemente e Frejat. A parceria entre os dois remonta a 1989, quando Frejat produziu o terceiro disco da Plebe Rude. Ao longo dos anos, a amizade e a colaboração musical se mantiveram, com shows de abertura para o Barão Vermelho na década de 1990. “O Frejat produziu nosso terceiro disco em 1989, um parceiro. Abrimos vários shows do Barão Vermelho na década de 1990. É uma parceria antiga”, relembrou Clemente.
Araruna Fest 2026: Uma noite de rock em Campo Grande
A segunda edição do Araruna Fest acontecerá no dia 30 de maio, no Bosque Expo, localizado no Shopping Bosque dos Ipês. O evento promete mais de seis horas de música ao vivo, com um line-up que inclui School of Rock, Érica Espíndola, O Bando do Velho Jack celebrando seus 30 anos, e Frejat com seu show “Frejat Ao Vivo”. A proposta do festival, como destacado pelo Campo Grande NEWS, é fortalecer a cena musical de Campo Grande, unindo grandes nomes do rock nacional com talentos regionais.

