Campo Grande celebra Copa com tinta e alegria nas ruas

A Rua Armando Holanda, no bairro José Abrão, em Campo Grande, se transformou em um palco vibrante de celebração e resgate cultural neste domingo. A iniciativa “Veste a Rua”, promovida pela Centauro em parceria com o Podpah Funkbol Clube, reuniu moradores de todas as idades para colorir o asfalto com as cores do Brasil, numa emocionante homenagem ao tetracampeonato de 1994. O evento, que contou com futebol, música e churrasco, reacendeu a chama de uma tradição que une gerações.

Por algumas horas, a rua deixou de ser apenas um caminho para carros e se tornou um ponto de encontro, brincadeira e confraternização, como muitos lembram da infância em anos de Copa do Mundo. Enquanto as crianças davam vida ao asfalto com tinta, os adultos compartilhavam histórias, organizavam churrascos e reviviam as Copas passadas, onde a comunidade se unia para embelezar a própria rua.

O som do DJ, as partidas improvisadas de futebol e o cheiro de tinta spray criaram uma atmosfera única. A ação “Veste a Rua”, conforme divulgado, funcionou mais como um resgate afetivo de uma tradição brasileira em declínio do que como um mero evento publicitário. O projeto, que já passou por Manaus, Santo André e Maringá, tem como objetivo principal, segundo Enzo Ciccarelli, produtor do Podpah Funkbol Clube, “devolver a rua para as pessoas”. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a essência da ação permanece a mesma em todas as cidades por onde passa, fortalecendo o vínculo comunitário.

Resgate de Memórias e Tradições

A intervenção artística homenageou o tetracampeonato da Seleção Brasileira de 1994 e atraiu moradores de diferentes faixas etárias ao redor da Praça do José Abrão. Enzo Ciccarelli compartilhou que a tradição de pintar ruas é algo que atravessa sua própria história familiar, com seu pai e avô também participando dessa prática em São Paulo. “É muito louco participar disso junto ao Funkbol Clube, que é a minha casa”, declarou, ressaltando a importância de tirar as crianças de casa para atividades como essa, especialmente em uma era dominada pela tecnologia.

A preparação do evento começou no sábado, com o grafiteiro responsável desenhando a arte no chão. No domingo, foi a vez da comunidade tomar conta do espaço. Cerca de 50 pessoas participaram ao longo da manhã, que contou ainda com campeonato relâmpago de futebol, distribuição de brindes e apresentações musicais. Diogo Uehara, representante de marketing da Centauro, destacou o surpreendente envolvimento do bairro. “Aqui em Campo Grande foi uma festa absurda”, afirmou, ressaltando a união entre vizinhos e a compra da ação pela comunidade local.

União de Gerações e Culturas

Uehara também ressaltou a cena mais marcante do evento: a integração de diferentes gerações. “Tinha até uma placa escrita ‘pessoas trabalhando em busca do hexa’. É uma coisa que todo mundo se une”, observou, mencionando a presença de crianças de 3 anos e idosos de 70 anos, todos unidos pela paixão pelo futebol e pela história do Brasil. Ele complementou que o evento ajuda a recuperar uma memória coletiva que foi se perdendo com a rotina e o avanço tecnológico, algo que o Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto em suas reportagens sobre a vida no bairro.

A fusão entre futebol e arte foi o ponto alto da ação. O grafiteiro Muriel Curunex, responsável pelo desenho no asfalto, viu no projeto uma oportunidade rara de unir duas culturas populares: o grafite e o futebol. “Achei da hora juntar o grafite, a arte de rua, com o futebol”, disse, enfatizando a importância da interação com o público. Ele descreveu a experiência como “louco ver a empolgação da criançada, dos pais também”, pois para muitos pais, essa cultura faz parte de sua própria criação.

Cultura e Pertencimento no Asfalto

Muriel Curunex, que trabalha com grafite há 18 anos, ressaltou que o grafite e o futebol compartilham a capacidade de criar um **pertencimento coletivo**. “O grafite começa de dentro para fora. Começa no quarto, depois vai para casa e depois para a comunidade. É legal ver esse vínculo com a comunidade”, explicou. A educadora Aline Chimes, 49 anos, que passava pelo bairro com a filha, decidiu parar e se encantou com a movimentação. “Eu achei muito interessante trazer esse show aqui para o nosso bairro”, comentou, lembrando de eventos semelhantes em outras épocas.

Um grupo de amigos acompanhava a pintura em volta de uma churrasqueira improvisada na calçada, com bandeiras do Brasil e cadeiras espalhadas. A pedagoga Luciene Caiçara via na cena um resgate cultural importante. “A gente resgata uma cultura que já era do bairro. Antigamente, a gente fazia cada um na sua rua”, disse. Para ela, o valor da ação reside em proporcionar experiências que muitas crianças de hoje não vivenciam mais, como pintar as ruas e torcer juntas.

Luciene concluiu que o sentimento coletivo visto no José Abrão transcende o esporte: “Não é só futebol. Eu vejo como **cultura, socialização e alegria**. Algo que vai além do futebol.” A iniciativa, que contou com o apoio do Campo Grande NEWS para divulgação local, reforça a importância de eventos que promovam a união e o resgate de tradições, fortalecendo os laços comunitários e a identidade do bairro.