40 espécies migratórias ganham proteção em Conferência da ONU em Campo Grande

Em um marco decisivo para a conservação global, a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias (COP15 da CMS) reuniu representantes de 132 países e da União Europeia em Campo Grande (MS), resultando em um acordo histórico. Novas e reforçadas medidas de proteção foram estabelecidas para 40 espécies migratórias, incluindo a ariranha, o guepardo, a hiena-listrada, a coruja-das-neves e o tubarão-martelo-grande, diante do preocupante declínio de suas populações. Conforme informações divulgadas, o pacto visa intensificar a coordenação de esforços e a implementação de ações de conservação em um momento crítico para a fauna migratória mundial.

COP15 da CMS: Um Compromisso Global pela Fauna Migratória

A conferência, que durou uma semana, abriu com alertas científicos sobre a acentuada queda nos indicadores de diversas espécies protegidas por tratados internacionais. Perda de habitat, exploração excessiva de recursos naturais e barreiras criadas por infraestruturas foram apontadas como os principais vilões desse declínio acelerado. A necessidade de abordar ameaças como a mineração em águas profundas, as mudanças climáticas e a poluição por plástico também foi amplamente debatida, reforçando a urgência de cooperação internacional.

Novas Proteções para Espécies Ameaçadas

Um dos resultados mais significativos da COP15 foi a inclusão de 40 espécies ou populações adicionais nos Anexos I (espécies em risco de extinção) e II (espécies que necessitam de ação internacional coordenada) da Convenção sobre Espécies Migratórias. Agora, mais de 1.200 espécies únicas estão sob a proteção deste tratado, em vigor há 47 anos. Entre os animais que se beneficiarão dessas novas medidas estão a ariranha, um mamífero semiaquático encontrado em rios da América do Sul, o guepardo, conhecido por sua velocidade em savanas africanas, a hiena-listrada, e aves como a coruja-das-neves.

O tubarão-martelo-grande, um dos elos cruciais dos ecossistemas marinhos, também figura na lista de espécies que receberão atenção redobrada. A decisão reflete a crescente preocupação com a saúde dos oceanos e a necessidade de proteger a vida marinha migratória, que enfrenta desafios como a poluição, a pesca predatória e as mudanças climáticas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a inclusão dessas espécies nos anexos da CMS é um passo fundamental para garantir sua sobrevivência e a integridade dos ecossistemas que habitam.

Desafios e a Importância da Cooperação Internacional

A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, destacou a urgência da implementação das medidas acordadas. “Viemos a Campo Grande sabendo que as populações de metade das espécies protegidas por este tratado estão em declínio. Saímos com proteções mais robustas e planos mais ambiciosos, mas as próprias espécies não estão esperando pelo nosso próximo encontro. A implementação precisa começar amanhã”, declarou Fraenkel.

O presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, enfatizou a natureza transfronteiriça da conservação. “Protegemos espécies que talvez nunca permaneçam dentro de nossas fronteiras. Investimos em um patrimônio natural que não possuímos, mas pelo qual todos somos responsáveis. Ao fazer isso, damos significado concreto à solidariedade global, reconhecendo que as espécies migratórias transcendem nações, jurisdições e gerações”, afirmou Capobianco.

Líderes científicos e políticos, incluindo os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Santiago Peña (Paraguai), ressaltaram ameaças como a fragmentação de habitats e a captura incidental na pesca. O relatório sobre o Estado das Espécies Migratórias do Mundo, apresentado na conferência, confirmou a tendência negativa dos principais indicadores de biodiversidade, aumentando o risco de extinção. Para combater essa crise, as Partes enfatizaram a conectividade ecológica e a cooperação internacional, buscando parcerias com outros acordos multilaterais. O conhecimento indígena e local também foi integrado às discussões científicas, promovendo um equilíbrio entre diferentes sistemas de saber, como aponta o Campo Grande NEWS.

Próximos Passos e o Futuro da Conservação Migratória

Com o encerramento da COP15, o Brasil assume a Presidência da COP da CMS pelos próximos três anos, com a missão de impulsionar os esforços de conservação em nível global. A próxima conferência, a COP16, está programada para ocorrer na Alemanha em 2029, coincidindo com o 50º aniversário da Convenção. A Alemanha, depositária da Convenção e sede do Secretariado da CMS, sediará o evento em Bonn.

A conferência também aprovou 15 novas Ações Concertadas para espécies específicas, como o chimpanzé, o morcego-frugívoro-cor-de-palha, o lince-eurasiático, a hiena-listrada, o cachalote, a franciscanana, o golfinho-nariz-de-garrafa-de-Lahille, o albatroz-das-antípodas, a pardela-de-patas-rosadas, o pelicano-de-Humboldt, o pluvianelo, o tubarão-tigre-da-areia, o tubarão-peregrino, o tubarão-azul e todas as espécies de arraia demônio e manta. Além disso, foram definidos 10 Planos de Ação Focados em Espécies, abrangendo desde a onça-pintada até aves terrestres migratórias na região africano-eurasiática. Uma iniciativa global para combater a captura ilegal e insustentável de espécies migratórias também foi lançada, prometendo novas ferramentas e estudos científicos para auxiliar na conservação. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os desdobramentos deste importante evento, que reafirma a urgência e a colaboração necessárias para proteger a vida selvagem migratória.